-->

domingo, 16 de janeiro de 2011

A Morte que está morta

A morte é que está morta.
Ela é aquela Princesa Adormecida
no seu claro jazigo de cristal.
Aquela a quem, um dia- enfim- despertarás...

E o que esperavas ser teu suspiro final
é o teu primeiro beijo nupcial!

- Mas como é que eu te receava tanto
(no teu encantamento lhe dirás)
e como podes ser assim- tão bela?!
Nas tantas buscas, em que me perdi,
vejo que cada amor tinha um pouco de ti...

E ela, sorrindo, compassiva e calma:

- E tu, por que é que me chamavas Morte?
Eu sou, apenas tua Alma...


(Mário Quintana- extraído de CARUS ARA)




sábado, 15 de janeiro de 2011

Da Vez Primeira




Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha…
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha…

E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada…
Arde um toco de vela, amarelada…
Como o único bem que me ficou!

Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! Desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!

Aves da Noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga nunca!

(Mário Quintana)

O Poema



Um poema como um gole dágua bebido no escuro.
Como um pobre animal palpitando ferido.
Como pequenina moeda de prata perdida para sempre
[na floresta noturna.
Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa
[condição de poema.
Triste.
Solitário.
Único.
Ferido de mortal beleza.

Mário Quintana
in Aprendiz de Feiticeiro

Canção Para Uma Valsa Lenta



Minha vida não foi um romance...
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amas, não digas, que morro
De surpresa... de encanto... de medo...

Minha vida não foi um romance...
Minha vida passou por passar.
Se não amas, não finjas, que vivo
Esperando um amor para amar.
Minha vida não foi um romance...
Pobre vida... passou sem enredo...
Glória a ti que me enches a vida
De surpresa, de encanto, de medo!

Minha vida não foi um romance...
Ai de mim... Já se ia acabar!
Pobre vida que toda depende
De um sorriso... de um gesto... um olhar...

(Mário Quintana)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Vivaldi - Four Seasons (Winter)

Willow- Emilie Autumn



Salgueiro, chore por mim
Curve seus mais altos galhos
Desça para essas mãos infames
De alguém que nunca entende


Eu não sou única nisso
É baseado em nada além dos meus erros
A noite deito-me acordada
Pensando em todos os corações que eu felizmente quebrei


É cruel eu sei
Pelo menos assim o dizem-me
Bem alguém me trancaria e jogaria fora a chave
Porque eu não estou envergonhada, oh não
Oh, salgueiro


Que eu só escrevo canções de amor
Para aqueles a quem eu não amo
Eu apenas chego para ele
Quem está amarrando as luvas de alguém
Aquele que me segurar no interior
Que eu admiro e ridicularizo
Que eu defendo e escondo


Salgueiro, chore por mim
Não ache que eu não vejo
Essa vida que estou vivendo em dois
Mas ainda é algo que devo fazer
Eu não sou único nisso
Também não sou especial, doce ou amável
Eu cortejo uns mil sorrisos
No entanto eu mantenho o meu próprio escondido


É cruel eu sei
Pelo menos assim o dizem-me
Bem alguém me trancaria e jogaria fora a chave
Porque eu não estou envergonhada, oh não
Oh, salgueiro


Que eu só escrevo canções de amor
Para aqueles a quem eu não amo
Eu apenas chego para ele
Quem está amarrando as luvas de alguém
Aquele que me segurar no interior
Que eu admiro e ridicularizo
Que eu defendo e escondo


Calúnia e discordância
Eles estão na saleta de jogos para mim
Papéis cheios de mentiras loucas demais para falar
Você diz que eles nunca te machucam
Nenhuma conseqüência, eu estou feliz
Estamos longe demais acima de tudo
Mas, oh não, isso não é verdade


Estes perversos passatempos tem o seu preço
Estes vícios tiranos quebram sua alma
Entrego tudo que eu sou
E tudo que eu nunca quero ser


Eu amo você (Oh salgueiro, salgueiro, salgueiro)
Não duvide de mim
Reescreva essa parcela à vista de todos


Que eu só escrevo canções de amor
Para aqueles a quem eu não amo
Eu apenas chego para ele
Quem está amarrando as luvas de alguém
Aquele que me segurar no interior
Que eu admiro e ridicularizo
Que eu defendo e escondo


Dobre seus ramos para o chão e me mantenha perto


Me permita conciliar com tudo o que sabemos
Partilhe a sua simpatia e chore por mim
Oh, salgueiro, cure os corações que eu tenho quebrado
Faça-me pura e comece de novo a minha canção


Que eu só escrevo canções de amor
Para aqueles a quem eu não amo
Eu apenas chego para ele
Quem está amarrando as luvas de alguém
Aquele que me segurar no interior
Que eu admiro e ridicularizo
Que eu defendo e escondo

Mon Amour

Mon bien-aimé Nick



Do inquieto oceano da multidão
veio a mim uma gota gentilmente
suspirando:

— Eu te amo, há longo tempo
fiz uma extensa caminhada apenas
para te olhar, tocar-te,
pois não podia morrer
sem te olhar uma vez antes,
com o meu temor de perder-te depois.

— Agora nos encontramos e olhamos,
estamos salvos,
retorna em paz ao oceano, meu amor,
também sou parte do oceano, meu amor,
não estamos assim tão separados,
olha a imensa curvatura,
a coesão de tudo tão perfeito!
Quanto a mim e a ti,
separa-nos o mar irresistível
levando-nos algum tempo afastados,
embora não possa afastar-nos sempre:
não fiques impaciente — um breve espaço
e fica certa de que eu saúdo o ar,
a terra e o oceano,
todos os dias ao pôr-do-sol
por tua amada causa, meu amor.



Walt Whitman, in "Leaves of Grass"